Líder e idealizador do Projeto VAR no Brasil falam ao SAFESP

São Paulo, SP, 08/07 - Durante três semanas os árbitros e assistentes do Quadro Nacional ficaram reunidos na cidade de Águas de Lindóia para realizar o Curso de VAR, elaborado pela Escola Nacional de Arbitragem. As duas maiores autoridades do assunto, Sérgio Correia da Silva (foto baixo), Líder do Projeto VAR no Brasil, e Manoel Serapião Filho, idealizador do Projeto VAR no mundo, foram palestrantes e instrutores e com o final do Curso neste domingo, dia 08 de julho, eles falaram com exclusividade ao SAFESP. Entre os assuntos abordados, foi falado da comunicação do VAR com o árbitro e da  possibilidade do árbitro questionar o VAR.

"Essa comunicação do campo para o VAR ela existe, todavia o VAR só vai entrar nas situações de fato, situações em que a decisão não tem dúvida alguma. Se existiu fifiti to fifiti como eles dizem, é questão do árbitro decidir. Nós não vamos entrar na decisão do árbitro se ele dizer isso é´pra mim é meio pênalti, um quarto de pênalti, dois terços, não existe isso; é fato", explicou Sérgio Correia da Silva.

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Sérgio Correia ainda explicou que o VAR exige um protocolo e para demonstrar que ele é extenso, falou do lance que não invalidou o gol da Suíça na partida contra o Brasil na primeira rodada da Copa do Mundo e de outros que podem surgir e exigir a utilização do VAR.

"A imagem que nós temos nos demonstra e nos leva a clareza da situação. Um empurrão e o jogador foi deslocado. Agora nós precisamos só saber se esse lance eles tinham. Porque se não tiver não adianta nada. Por isso o protocolo diz: todas as imagens tem que estar no VAR. Porque se ele não tiver a câmera certa, na hora certa, não adianta nada. E também se ele não souber procurar, se ele pedir a câmera errada, tem que pedir a sete e ele pede a quatro, que é o lado oposto, aí fica difícil. Por isso é que tem o treinamento, ele tem que saber o plano de câmeras, precisa saber qual câmera vai pedir", explicou o líder do VAR.

O líder do VAR também falou de situações que o VAR não pode interferir e exemplificou em lances que até poderão gerar muitos comentários e reclamações, mas de acordo com o Protocolo do VAR, são lances que não podem ter a interferência. Em campo são lances do trio de arbitragem, que terão que mostrar conhecimento da regra.

"Por exemplo, bola fora da posição no tiro do canto e saí um gol olímpico. E aí?. Não é VAR, não está no protocolo. Ah mais o mundo não vai aceitar. Mas está estabelecido. O árbitro tem que ter o mínimo de condição de chegar lá e ver que a bola está fora de posição. Quando é do lado do assistente é fácil. Quando é do lado dele, ele tem que ver, tem que observar. O VAR vai ter que entrar em um lateral que é para a direita, que é para a esquerda, é tiro de meta. São coisas que as pessoas precisam entender que o VAR é para erros históricos", falou Sérgio Correia.



Com Sérgio Correia esteve o idealizador do projeto do VAR, o brasileiro Manoel Serapião Filho, que admitiu que mesmo com o VAR, um erro pode acontecer, porém, por situações que não estejam no protocolo.

"O erro sempre acontecerá. Nós precisamos reduzir este erro ao mínimo possível. A 0,5 ou 0,6, porque se eu tenho imagem o erro vai ficar por conta de uma imagem não clara em que eu não possa claramente dizer que o árbitro errou, se a televisão falhou, se o corpo do jogador está na frente e isso pode se passar. Uma câmera deixou de registrar um determinado lance e isso pode acontecer. Mas enquanto há um lance técnico analisado o árbitro de vídeo tem que ser obrigado a se comunicar com o árbitro em campo e passar para ele a decisão", falou.

Manoel Serapião Filho (foto baixo) também falou sobre coisas pouco divulgadas, mas, importantes sobre o projeto, como por exemplo, a câmera que fica monitorando a cabine e grava as imagens e a conversa que existe na cabine.

"Esta é mais uma conquista da CBF. Porque nós sugerimos que fosse monitorado não apenas com o registro da câmera, mas também com o áudio entre o árbitro e o árbitro de vídeo. Por isso que na ocasião do evento do jogo entre Brasil e Suíça, a CBF encaminhou uma carta solicitando a gravação do áudio e do vídeo para verificar se efetivamente tinha havido uma comunicação, se tinha havido uma superação dos limites do protocolo. Ali tudo recomendava. Era imperioso que o árbitro de vídeo dissesse que houve um empurrão, no mínimo você cheque aquele lance. Então, para a transparência do processo a CBF sugeriu que fosse gravado até o áudio. E se eu quero transparência, se eu gravo e uma equipe me solicita, porque eu não entrego; não faz sentido.



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